Tarifas Bancárias no Mirante: Como Identificar Cobranças Indevidas e Exigir Seu Reembolso
Photo: extrato bancário tarifas celular aplicativo banco, via i.ytimg.com
O custo invisível de ter uma conta
Uma tarifa de R$ 15 por mês parece inofensiva. Multiplicada por doze meses e por vários anos, porém, o resultado impressiona: mais de R$ 1.000 em cinco anos, sem contar a correção monetária. Para empresas, o quadro é ainda mais grave — pacotes empresariais, CPMF extinta há décadas em espírito mas não em memória, taxas de boleto e tarifas de manutenção podem consumir parte relevante do fluxo de caixa.
O que pode — e o que não pode — ser cobrado
A Resolução CMN nº 4.873/2020 disciplina o tema. Contas salário, por exemplo, não podem ter cobrança de tarifas para serviços essenciais como saques, transferências e emissão de extrato. Já as contas correntes comuns podem ter pacotes contratados — mas somente se houve concordância expressa do cliente.
Cobranças frequentemente irregulares incluem:
- Tarifa de "manutenção de conta" em conta salário;
- Emissão de cartão ou segunda via não solicitada;
- Pacote de serviços que o cliente nunca contratou formalmente;
- Tarifas por serviços essenciais acima dos limites regulados.
Passo a passo para recuperar valores
1. Audite o extrato
Reserve uma hora e revise os últimos doze meses. Marque toda cobrança com nomenclatura genérica ou desconhecida. Os bancos são obrigados a detalhar cada tarifa.
2. Conteste junto ao banco
Utilize o app, o SAC ou a agência e exija o reembolso das cobranças indevidas identificadas. Registre o número de protocolo. A instituição tem até 10 dias úteis para responder reclamações formais.
3. Acione o Banco Central
Sem solução, registre reclamação no formulário de ombudsman do BC, disponível no site oficial. O histórico de reclamações impacta o ranking público das instituições — o que costuma acelerar o acordo.
4. Considere os canais judiciais
Valores até 40 salários mínimos podem ser pleiteados nos Juizados Especiais sem advogado para causas de menor complexidade. Devolução em dobro das cobranças abusivas é prevista no Código de Defesa do Consumidor (art. 42, parágrafo único).
Trocar de banco sem dor de cabeça
A portabilidade de salário, garantida pelo Banco Central, permite transferir a remuneração para outra instituição em até cinco dias úteis após a solicitação. Antes de migrar, avalie:
- Contas digitais gratuitas: muitas oferecem transferências via Pix ilimitadas e sem custo;
- Atendimento humanizado: verifique se há agências ou gerentes dedicados, relevante para quem move negócios;
- Taxas de crédito: o custo do empréstimo importa tanto quanto a ausência de tarifas.
Conclusão
Nenhuma instituição financeira deve lucrar com cobranças que o cliente desconhece ou jamais autorizou. A auditoria periódica do extrato — prática que recomenda-se trimestralmente — é o hábito mais barato e eficaz de educação financeira disponível. Se sua conta está te cobrando para existir sem entregar valor correspondente, o mercado brasileiro oferece hoje alternativas competitivas e reguladas.